Antes me perguntavam: Você já perdeu alguma pessoa? Você sente falta dela? E eu respondia: Sim, já perdi e sim, sinto falta dela. Mas eu não sabia. Não sabia o que era perder uma pessoa até te perder. Não, nós não brigamos, você não decidiu não falar comigo nunca mais, você não viajou. Antes fosse isso. Mas perai, você pode até ter viajado. Mas foi para um lugar na eternidade. Sim, aconteceu e você se foi, se foi para um lugar que eu não posso te trazer de volta. Eu estava destruída. Mas consegui sorrir com um tempo. Logo depois de um mês as ondas de dor que me haviam assaltado pouco tempo antes se erguiam agora com força e inundaram minha cabeça, puxando-me para o peito.
Pensei comigo: Não voltarei a superfície. O tempo começou a passar bem mais rapido do que antes. Eu não estava mais infeliz. É claro que não podia me enganar cem por cento. Eu parecia uma lua perdida - meu planeta destruído em algum cenário desolado de cinema -catástrofe - que continuava, apesar de tudo, a rodar numa órbita muito estreita pelo espaço vazio que ficou, ignorando as leis da gravidade. Eu me preocupava que tudo desaparecesse. Que minha mente fosse como uma peneira, e eu um dia não conseguisse me lembrar da cor exata de seus olhos ou da textura de sua voz . Eu podia não pensar naquilo, mais queria me lembrar de tudo. Porque só havia uma coisa em que eu precisava acreditar para pode viver - eu precisava saber que você estava bem. Era só. Todo o restante eu podia suportar. Desde que você tivesse existido.
Lucas Lima, meu anjo.
quarta-feira, 16 de março de 2011
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